Entrevista com o autor Ronne — Missões: Experiências e Reflexões

 Entrevista com o autor Ronne — Missões: Experiências e Reflexões







1-O que te motivou a escrever Missões: Experiências e Reflexões? Houve um momento específico no campo missionário que despertou esse desejo de compartilhar suas vivências?

Houve, sim, um momento que despertou esse desejo: Foi quando resolvi escrever minha


história, e de minha família, nesse primeiro momento não havia a ideia de escrever um livro propriamente dito, e sim apenas um relato de nossas experiências, Mas Deus falou comigo de forma clara: essas vivências precisavam ser compartilhadas para edificar, despertar vocações e fortalecer a Igreja.

O livro nasce desse lugar, do campo, da oração, das lágrimas e da esperança, como um testemunho de que Deus continua agindo poderosamente através daqueles que dizem “eis-me aqui”.


2-O livro mistura relatos pessoais com reflexões bíblicas e práticas. Como foi equilibrar a experiência vivida com a responsabilidade de ensinar e edificar espiritualmente o leitor?

Equilibrar os relatos pessoais com a responsabilidade de ensinar e edificar espiritualmente


foi um exercício constante de temor e discernimento. Desde o início, compreendi que a experiência, por si só, não tem valor se não estiver submetida à Palavra. Por isso, cada vivência narrada foi filtrada à luz das Escrituras, para que o foco não estivesse no missionário, mas na ação de Deus.

Os relatos pessoais entram como pontes, não como fim. Eles aproximam o leitor da realidade do campo missionário, despertam empatia e tornam o ensino bíblico mais palpável. Já a reflexão bíblica e prática vem como alicerce, trazendo direção e aplicação para a vida cristã e para a missão da Igreja.

Houve um cuidado intencional em não romantizar o campo missionário, nem transformar experiências em regra. O compromisso foi edificar com verdade, mostrando que a missão envolve obediência, renúncia e graça diária. Assim, a experiência vivida serve ao ensino, e o ensino conduz o leitor a uma fé mais madura, bíblica e comprometida com o chamado de Deus.

3-Em sua opinião, qual é o maior equívoco que as pessoas ainda têm sobre o trabalho missionário, e como o livro busca desconstruir essa visão?


Na minha opinião, o maior equívoco sobre o trabalho missionário é a ideia de que missões se resumem a
ir para longe, a culturas exóticas ou a ações heroicas extraordinárias. Muitos ainda enxergam o missionário como alguém “especial”, quase inalcançável, quando, na verdade, missões começam com obediência simples e fidelidade diária ao chamado de Deus.

Outro erro comum é romantizar o campo missionário, como se fosse uma sequência de conquistas espirituais sem dor, desgaste ou renúncia. Essa visão superficial gera frustração e desânimo quando a realidade se apresenta com desafios, silêncio, sementes que demoram a frutificar e muita dependência da graça, presenciei essas questões na integra quando recebi voluntários no campo onde eu estava, de quatro que se dispuseram só um ficou.

O livro busca desconstruir essa visão ao apresentar missões como um estilo de vida cristão, fundamentado na Palavra, vivido tanto no envio quanto na permanência. Ao relatar experiências reais, com lutas e aprendizados, e conectá-las às Escrituras, a obra mostra que o centro da missão não é o missionário, mas Deus em missão. Assim, o leitor é convidado a entender que todos são chamados a participar orando, contribuindo, indo ou permanecendo e que a fidelidade vale mais do que os resultados visíveis.



4- As experiências vividas na Bolívia ocupam um espaço importante na obra. O que esse campo missionário te ensinou que você acredita que todo cristão deveria aprender, mesmo sem sair do país?

A Bolívia me ensinou verdades que não pertencem apenas ao campo missionário, mas à essência da vida cristã, não coloco aqui a questão transcultural somente, mas um conjunto de situações de sociedades que são distintas em quase tudo com relação ao que é espiritual. A principal delas é que o Reino de Deus avança mais pela dependência do que


pela estrutura. Em contextos de limitações, aprendi que quando os recursos humanos se esgotam, a fé genuína floresce, e Deus se revela suficiente.

Aprendi também o valor da encarnação do evangelho: ouvir antes de falar, caminhar junto antes de ensinar, amar antes de corrigir. O campo me mostrou que pessoas não são projetos, e que discipulado exige tempo, paciência e presença. Essa é uma lição que todo cristão pode, e deve viver no seu próprio contexto, seja no bairro, na igreja ou no ambiente de trabalho.

Outro aprendizado marcante foi compreender que obediência precede resultados. Muitas vezes sem ver frutos imediatos, Deus me ensinou que Ele não nos chama para sermos eficazes segundo métricas humanas, mas fiéis segundo o coração d’Ele. Mesmo sem sair do país, todo cristão precisa aprender a servir com humildade, a depender do Espírito Santo e a viver o evangelho de forma simples, profunda e coerente todos os dias.


5- Durante a escrita, houve algum capítulo ou relato que foi mais difícil de revisitar emocionalmente? Por quê?

Sim houve, dois, um que esta registrado nas pag. 97 e 98, o relato de quando minha filha foi jogada dentro de um carro por duas mulheres e um homem, era um assalto, colocaram a arma no rosto de minha filha, foi um momento bem delicado, porém Deus á guardou, levaram seus pertences e soltaram.

O Segundo foi com o meu filho mais velh, nas pag, 101 e 102, quando lembro ainda me emociona, meu filho teve asma quando criança, e com 21 anos teve covid, quase o perdiamos, e lembro que me ajoelhei ao lado de sua cama onde já respirava com dificuldades, e necessitava ser carregado para ir ao banheiro, e ali ao lado da cama segurei em suas mãos e fiz uma oração, no outro dia, qundo levantei pela manhã, vi meu filho andando e me dizendo “pai estou andando, estou bem” louvado o nome de Jesus. 



6- O livro provoca o leitor a refletir sobre seu próprio papel na missão cristã. Você acredita que todos são chamados para missões? De que formas isso pode se manifestar?

Sim, acredito que todos são chamados para missões, ainda que nem todos sejam chamados para o mesmo lugar ou da mesma forma. A Bíblia deixa claro que a missão não é de um grupo seleto, mas da Igreja como um todo. A Grande Comissão não foi entregue apenas a alguns, mas a todos os discípulos.

Esse chamado se manifesta de maneiras diferentes. Alguns são chamados para ir atravessando culturas e fronteiras geográficas. Outros são chamados para enviar, sustentando a obra por meio de oração, recursos e cuidado pastoral. Há também os que vivem a missão no cotidiano, testemunhando Cristo no trabalho, na família, na escola e na comunidade, sendo sal e luz onde Deus os plantou, isso é fazer missões.

O livro provoca o leitor a entender que missão não começa com um passaporte, mas com um coração disponível. Quando o cristão compreende que sua vida pertence a Deus, cada decisão, cada relacionamento e cada espaço se tornam um campo missionário. Assim, missões deixam de ser um evento ou ministério específico e passam a ser uma expressão natural de uma fé viva, obediente e comprometida com o Reino.



7-Ao longo da obra, fica claro que missões envolvem renúncia e amadurecimento espiritual. Como esse processo te transformou como pessoa e como cristão?

O processo missionário me transformou de forma profunda e contínua. A renúncia, longe de ser apenas abrir mão de coisas externas, revelou áreas do meu coração que precisavam ser tratadas por Deus. No campo, aprendi que não se perde quando se renuncia por Cristo; pelo contrário, é nesse esvaziamento que o Senhor nos amadurece e nos alinha à Sua vontade.

Como pessoa, fui confrontado com meus limites, expectativas e motivações. A missão me ensinou a lidar com frustrações, silêncio principalmente silêncio e espera, desenvolvendo humildade, paciência e sensibilidade ao outro. Como cristão, aprendi a depender menos das minhas forças e mais da graça diária de Deus, entendendo que o crescimento espiritual acontece quando a fé é vivida na prática, especialmente nos momentos em que não há aplausos nem resultados visíveis.

Esse caminho de renúncia produziu em mim uma fé mais simples e, ao mesmo tempo, mais profunda. Hoje compreendo que amadurecer espiritualmente é aprender a obedecer mesmo quando custa, a confiar mesmo sem entender tudo e a permanecer fiel sabendo que Deus está mais interessado em formar Cristo em nós do que apenas nos usar para realizar algo.


8-Para quem sente um chamado missionário, mas ainda tem medo ou insegurança, qual mensagem principal você gostaria que essa pessoa levasse após a leitura do livro?

Essa será a mais curta das respostas, para os que sentem a chama do chamado missionário, entenda, quando Deus chama ele capacita, Ele envia, Ele respalda o envio, Ele supre todas as necessidades, e nos faz superar todos os medos, se o chamado é verdadeiro logo não há porque temer e sim crer. Então digo aos que tem esse chamado somente obedeça, vai valer apena cada segundo. 


9-Missões: Experiências e Reflexões também dialoga com igrejas e líderes. Que tipo de impacto você espera que o livro gere dentro das comunidades cristãs?

Espero que o livro desperte, dentro das comunidades cristãs, uma consciência missionária mais bíblica e responsável, que vá além de eventos pontuais ou discursos entusiasmados. O desejo é que igrejas e líderes compreendam missões não como um departamento isolado, mas como parte do DNA da Igreja, presente na pregação, no discipulado e na formação espiritual.

Anseio que a obra provoque líderes a cuidarem melhor dos vocacionados, entendendo que enviar envolve preparo, acompanhamento, intercessão e responsabilidade contínua. Que o livro ajude a igreja local a enxergar o missionário não apenas como alguém que “foi”, mas como alguém que continua ligado ao corpo, precisando de cobertura espiritual e relacionamento saudável.

Também espero que gere impacto no sentido de formação e maturidade: igrejas mais conscientes de seu papel no Reino, líderes mais sensíveis à direção do Espírito Santo e comunidades que aprendam a medir sucesso não apenas por números, mas por fidelidade, transformação de vidas e compromisso com a Palavra. Se o livro ajudar a alinhar a visão da Igreja à missão de Deus no mundo, então ele cumpriu seu propósito.


10 - Depois dessa obra, há novos projetos literários ou missionários em andamento? O que os leitores podem esperar do seu próximo passo?


Na verdade não pensava que haveria novos projetos literários ou missionários, porém desde a conclusão deste primeiro projeto, já tenho outras 7 obras, sendo quatro delas ainda por lançar, de cunho missionário escrevi “Chamado, Preparação e Revestimento de Poder”, “Ataques do Inimigo contra a Igreja de Cristo”, Escolhas Erradas e suas Consequências” já lançados.

“Escolhas Certas Resultados Extraordinários”, O Conselho de Gamaliel”, “Almas em Cliks – A Evangelização na era digital” e Meditações nos Salmos para 365 dias”, que serão lançados neste ano de 2026. Com toda certeza digo aos leitores, preparem o coração, pois serão impactados. Honra e glória a Jesus. 


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